“O lugar da mulher é na cozinha” – Burger King pede desculpa

A eterna questão… qualquer publicidade é boa publicidade? O que conta é que seja viral? Se as vendas aumentarem, isso significa que a comunicação foi um sucesso? Se os níveis de notoriedade da marca subirem, então já não resta dúvida que foi a melhor opção?

Aproveitando o Dia Internacional da Mulher, o Burger King em Inglaterra decidiu avançar com uma campanha… digamos que algo arriscada nas redes sociais. Se bem que “arriscada” seja mesmo um eufemismo.

“O lugar da mulher é na cozinha” foi a frase escolhida para chamar a atenção. E é certo que esse objectivo foi conseguido. Fez sorrir alguns (que encararam com humor a provocação) e chocar muitos outros.


Um pouco mais tarde, foi publicado um outro tweet onde se podia ler: “If they want to, of course. Yet only 20% of chefs are women. We’re on a mission to change the gender ratio in the restaurant industry by empowering female employees with the opportunity to pursue a culinary career.”

A campanha pretendia alertar para a discriminação de que as mulheres são alvo, em particular, “na cozinha”, e servir de rampa de lançamento para um programa válido da Fundação Burger King: a Bolsa H.E.R. (Helping Equalize Restaurants), que concede um apoio de 25 mil dólares a cada uma de duas funcionárias a “seguirem os seus sonhos enquanto chefs”, existindo o plano de estender o programa a outros países.

Após uma avalanche (expectável) de críticas ao post, mas também de insultos às mulheres, o Burger King apagou o famigerado tweet ainda durante o próprio Dia Internacional da Mulher.

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é burger-king.jpg

Moral da história? Talvez esta: Chocar não custa nada, é mesmo fácil. Tão fácil como colocar algo ofensivo e dizermos de seguida, em letra pequena, que era brincadeira.

Tal como o Washington Post referia no final desse mesmo dia, esta campanha fica para a história como um estudo de caso sobre o que não fazer, particularmente, quando se deseja promover uma causa social. E é algo perfeitamente extensível às notícias partilhadas pelos meios de comunicação. A tentação está à espreita… Chocar não custa, o que custa é descobrir a melhor forma de comunicar,

E se o desespero de mais cliques, de gerar mais ´buzz ` e de criar mais ´engagement` desvirtuar e secundarizar a mensagem central? Isso conta para alguma coisa? A empresa tem valores e ética que quer perpetuar ou isso deixa de ter relevância?

Partilhar:
Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on linkedin
LinkedIn
Share on twitter
Twitter
Share on email
Email
Outros artigos:

Subscreva a nossa newsletter

Para receber novidades no seu email