“Os dados na gestão hospitalar podem ser determinantes na reestruturação do SNS”

Foi a primeira conferência do género organizada pela Associação Portuguesa de Business Intelligence (APBI). Intitulado “Os dados ao serviço da saúde no mundo lusófono”, o evento contou com a participação dos “principais stakeholders na área da saúde em Portugal e também nos países lusófonos”.


Um dos aspetos que ficou patente nesta conferência é o consenso à volta da importância dos dados e do seu papel crucial para a tomada de decisão.


No caso específico da gestão hospitalar, José Rui Gomes, presidente da APBI, adianta que “ficou evidente o papel fundamental dos dados a nível operacional, como meio de monitorização dos processos rotineiros (tempos de espera, número de consultas agendadas, número de consultas realizadas, …)”. Mas não só.

O responsável sublinha que os dados têm também um papel a nível de decisão estratégica, “através da análise de dados macro que possibilitem a identificação de gargalos no atendimento, a previsão de necessidades futuras, reestruturar processos e redimensionar departamentos”.



José Rui Gomes

Um impacto determinante na restruturação do próprio SNS


No entanto, de acordo com José Rui Gomes, esta conferência pioneira da APBI, que decorreu nos dias 5 e 6 de maio, permitiu chegar ainda a uma outra conclusão: “Para além desta utilização mais direta dos dados, existe todo um outro potencial, que de facto poderá ter um impacto determinante na otimização de recursos e restruturação do próprio SNS.”

E dá alguns exemplos: “Estamos a falar de conceitos como a telemedicina (cuja utilização teve uma evolução exponencial devido à pandemia), da utilização de dispositivos (smartphones, wearables) que permitam a monitorização à distância de, por exemplo, a pressão arterial e do ritmo cardíaco, da integração de toda a informação médica relativa ao utente e de a tornar acessível a todos os prestadores de cuidados (reduzindo o tempo de diagnóstico e eliminado a repetição desnecessária de meios complementares de diagnóstico e terapêutica).”

Os dados trazem também a capacidade de colocar o doente no centro dos cuidados de saúde, “através de planos personalizados de medicina preventiva (baseados nas características individuais do utente, no seu histórico familiar, no seu estilo de vida)”.

Da conjugação destas e de outras vertentes, a convicção é que “poderá, sem dúvida, surgir um SNS diferente. Um SNS em que a medicina preventiva e a gestão de doenças crónicas ficam completamente sob a alçada dos cuidados de saúde primários, libertando os hospitais para o tratamento de situações agudas.”

Mas, sobretudo, acrescenta José Rui Gomes, um SNS em que o utente pode ser acompanhado à distância, “no conforto da sua casa, na maior parte das situações, e em que os profissionais conseguem concentrar os seus esforços na persecução da sua missão fundamental, uma vez libertos de todo um conjunto de atividades rotineiras, burocráticas e administrativas”.


Próximo passo: “a normalização e integração”

Tecnologicamente, tudo ou quase tudo é possível. Esta foi uma das mensagens repetidas na conferência por vários dos oradores. Contudo, para ir ao encontro das necessidades reais das instituições de saúde e dos seus profissionais, “o primeiro e grande desafio que se coloca atualmente é a normalização e integração das inúmeras fontes de dados existentes”.

José Rui Gomes alerta mesmo para um efeito perverso do grande entusiasmo das últimas décadas com a tecnologia, que “conduziu à proliferação de uma enorme diversidade de sistemas operacionais (vocacionados para inserção de dados), e de soluções de Business Intelligence, o que leva à criação de silos de informação mesmo dentro de uma instituição”.



1 ano de intensa atividade

Apesar da APBI – Associação Portuguesa de Business Intelligence realizar frequentemente várias iniciativas, esta conferência, que contou com perto de 500 inscrições ao longo dos dois dias, acaba por marcar, de certa forma, o 1.º aniversário desta Associação.

“Ao longo deste primeiro ano, o interesse pela associação superou as nossas expectativas”, reconhece José Rui Gomes. Neste momento a APBI já conta com parceiros institucionais de relevo como o IAPMEI, a Universidade Portucalense, o Instituto Piaget, o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, Microsoft, BI4ALL Devscope, Prologica, Rumos, IPWIRE, Visual Thinking, 2BON, MITEL, CULTODEBI, Polisport, ITBASE entre outros.


Sobre José Rui Gomes

Com um percurso de 22 anos de experiência na área das Tecnologias de Informação, José Rui Gomes tem sido um assíduo orador em variadas palestras, com destaque para os temas de Business Intelligence e economia de dados. Foi membro de júri na Web Summit 2018 e, entre outros cargos, é gestor de Informática do Departamento de Eletrónica Industrial da Escola de Engenharia da Universidade do Minho e CEO da GlanDrive.

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